
Em 2011? à 00:02 do dia 01/01 eu fiz um pedido impossível, sabendo o que estava dizendo. Sofri e chorei por uma pessoa por quem já tinha chorado e sofrido antes, criei coragem e disse tudo o que me afligia, tirei um peso do coração. Me desliguei do que fazia mal. Fiz dieta, academia, corri, caminhei, emagreci, recebi elogios, tirei férias, engordei. Curti uma vida de solteira, bebi, falei demais, dei vexame, fiquei de ressaca, percebi que uma vida boêmia não é meu ideal. Recebi uma proposta de emprego em outra cidade, tirei férias pela primeira vez na vida, trabalhei pra ser notada, fui promovida. Me contive pra não dizer umas verdades, me contive pra não exagerar, deixei tudo de lado e mostrei quem eu sou de verdade, se assustaram, gostaram, se decepcionaram. Passei o carnaval em casa, viajei com amigas prum lugar lindo e romântico, viajei com outras amigas prum lugar de solteiros e fui soltinha, viajei com a família com uma outra família bem grande, com tios, tias e primos novos logo ali do lado. Percebi que sou uma negação em qualquer esporte, que meu forte mesmo é livro / música / filme. Brinquei com crianças numa noite incrivel, cheguei em casa cedo no outro dia, cheguei em casa tarde, cheguei em casa dez minutos depois. Tive uma das melhores noites de aniversários da minha vida, me dei presentes incriveis. Tive que me afastar de uma pessoa importante, sinto saudades, mas o orgulho é maior. Perdi inúmeros shows incriveis, mas fui em outros muitos bons. Recebi boas noticias, comemorei. Recebi maus notícias, chorei e ofereci minha ajuda. Cozinhei, a torta de chocolate ficou ok, o primeiro brownie ficou incrivel, o segundo pareceu bolo normal, e o terceiro queimou. Passei mais de três dias na cidade que nasci e confesso que não deu vontade de ir embora. Tirei minha habilitação mas minhas pernas tremem até hoje quando me sento na frente do volante. Fui no rock, fui no sertanejo, fui no rock, fui no pagode, fui no rock. Criei um grupo de terapia, e outro de exterminio. Chorei lendo, chorei assistindo filmes, chorei ouvindo músicas, chorei olhando no espelho. Passei com cachorros, senti vontade de ter alguns três aqui comigo. Enfim, fiz coisas incriveis, convivi com pessoas incriveis, tive dias tristes, alegres, sozinhos, cheios...
Foi bom ter passado a virada de branco e calcinha bege, não fiquei transparente, vivi e comecei a entender quem é essa pessoa que olha pra mim através do espelho.